Conto que parei de fumar e é uma festa. Todo mundo é fofo,
dá parabéns, abraça, incentiva. Isso é muito importante, viu? Na hora de parar
de fumar, todo apoio é válido: carinho, abraço, e-mail, telefonema no meio da
tarde, conselho... Eu tô curtindo.
Acho que isso ocorre por que, durante alguns dias, a sua
vida passa a girar em torno da resistência ao vício. Cada passo é calculado
para evitar a famosa recaída. No meu caso, como ainda estou no início da
jornada, essa sensação está superintensa. Dizem que com o tempo melhora.
Contando com isso fortemente.
Claro que nem todo mundo, 100%, é fofo. Tem os espíritos de
porco, né? Sempre tem. Fui contar para um sujeito que tinha parado de fumar e o
jeitoso mandou um vrááá na minha lata: parou tarde, não devia nem ter começado.
Uma pessoa tão inteligente como você, por que começou a fumar, hein, hein?
Taí uma coisa que eu não sei responder. Sou da época do
Cowboy de Marlboro, que inspirou o nome desse blog. Nos anos 80/90, eu não
devia ser tão inteligente assim e não tinha essa patrulha toda anticigarro não.
Muita gente fumava, e se eu bem me lembro, a primeira vez que eu botei um
cigarro na boca, lá pelos meus 13 anos, eu amei aquela sensação de tontinha que
me dava. Fiquei me achando madura, independente, James Dean, whatev... Nesse
período, quando as propagandas de cigarro não tinham nenhuma restrição, o Hollywood
lançava seus comerciais no Fantástico, fazia coletânea musical, chaveirinho,
caneta, camiseta, boné... Eu tinha tudo, e saia pela rua, aos 14, 15 anos, toda
logotipada com a marca de cigarro do momento. Como não amar essas décadas?
Os filmes do Free não ficavam atrás, “cada um na sua, mas
com alguma coisa em comum”, e quem não queria ter algo em comum com aquelas
pessoas descoladas, bem-sucedidas, cheias de estilo e pigarro matinal? Pra piorar,
os cigarros foram responsáveis por alguns dos melhores shows que assisti na
minha vida. A cidade parava para o Hollywood Rock, fervia pelo Free Jazz, e tinha
um raro prazer com baixos teores no Carlton Dance Festival. Phino.
Como disse, não sei responder mesmo o que me levou a começar
a fumar. O que me separou daqueles adolescentes que simplesmente provam d
aqueles que passam a guardar dinheiro da mesada para comprar um maço. Foi tudo
isso, ou nada disso, não sei. Só sei que é para frente que se anda, e essa
pergunta não é relevante.
Por que eu comecei não te interessa, meu filho. E por que eu
parei só diz respeito a mim.
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