Casados, uma filha, 40 cigarros/dia cada um. E dois grandes amigos em fases de vida diferentes, mas ambos com um papel determinante na nossa decisão conjunta de parar de fumar.
Nem sei há quanto tempo fumo... Acho que coloquei o meu
primeiro cigarro na boca aos 13 anos, mas embalar mesmo, só lá pelos 20. Tô com
quarenta, fiz uma pausa para a gravidez, you do the math...
Meu marido não começou tão cedo, mas seguiu pelo mesmo
caminho de intensidade do vício (sim, vamos tratar logo o hábito de fumar pelo
que ele é, um vício. Sei que a palavra carrega uma pecha bastante negativa, mas
nem é por isso. É para a gente reconhecer que não conseguiu parar até agora não
por que somos fracos, sem vergonha, burros, o que seja: somos doentes e estamos
na luta contra uma doença. Fim da digressão).
Mas falando dos amigos. Um deles, tão querido, foi
diagnosticado há uns seis meses com um câncer de pulmão, metástase cerebral.
Uma pica. Peço desculpas a ele por estar abordando seu caso aqui. A gente
trabalhava junto há uns bons 15 anos, todos eles fumando. Primeiro em nossas
mesas, depois na escada de incêndio e, por último, na portaria do prédio. O
caso é grave, ele tá em tratamento, nas mãos de Deus. E eu não conseguia parar
de me sentir uma completa imbecil quando ia visita-lo e, antes de subir, parava
na porta do hospital e acendia um cigarro. Aí eu subia, dava um beijo nele, a
gente conversava e, na hora de ir embora, acendia outro cigarro, para relaxar,
e espantava com uma balançada da cabeça aquele sentimento de desconforto
e culpa que tentava se acomodar em mim.
Eu já estava querendo parar de fumar, mas tinha medo de
admitir. Medo de fracassar.
O outro amigo, parceiro, tanto ele como a esposa.
Ex-fumante, mas nunca tão hardcore como eu e meu marido. O cara é tão gente
boa, sabe? Um dia ele começou a conversar sobre como se sentia bem depois de
largar o cigarro, mas não daquele jeito caído de alguns ex-fumantes. Ele falou
de um jeito tão zen, tão tranquilo, e eu me vi tendo vontade de me sentir como
ele. Assim, mais saudável. Mais inteligente, também. Daí, um belo dia, num dos
nossos encontros no clube, o cara me aparece um com tratamento completo para
parar de fumar e dá para nós. Do nada! Vai ver ele também percebeu que tinha
nos tocado, sem dúvida ele quer muito o nosso bem, e a gente ficou se
perguntando qual seria o melhor gesto em agradecimento a uma atitude dessas.
Parar de fumar, é claro!
O que nos traz ao presente, hoje, 5 de março de 2014, 17h21,
já contando 18h desde o nosso último cigarro, uma crise de insônia (no caso do
meu marido), três pesadelos muito estranhos (no meu caso) e inúmeros outros
sintomas de crise de abstinência (em ambos os casos).
Mas tamos aí. Não sei se já posso me considerar uma
ex-fumante. Mas estou me sentindo muito mais inteligente.
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