Surtei no fim de semana por que meu marido me pediu para lavar a louça. Lavei, chorando. Foi uma cena. Viro pra ele e pergunto: mas você não tá nervoso com esse lance de parar de fumar? Não mexeu com você nadinha essa falta de nicotina? “Não”, ele me respondeu. “Tô beeeem tranquilo mesmo, até achei que fosse ser mais difícil”, ele complementou, para depois ir até a cozinha.
Voltou
aos gritos: “Acabou o suco? Porra, com é que me acaba o suco?”
“Calma,
amor, não fui eu quem tomou, vou avisar para não tomarem mais seu suco, não
fica brabo comigo, lindo...”
“Eu
não tô bravo com você! Eu não tô bravo com você! EU NÃO TÔ BRAVO! Só tô puto
por que acabou o suco, e agora eu quero tomar suco, e eu tô nervoso!”
É,
ele tá beeeeem tranquilo mesmo.
A
gente percebe que a coisa tá louca quando o pai e a mãe surtam e a filha de
cinco anos é quem pede calma e manda os dois contarem até dez. Agora, a coisa
tá feia, mas feia mesmo, quando eu acordo com vontade de acampar. Não sei qual
a relação entre parar de fumar e ter vontade de acampar. Só pode ser efeito da
abstinência. É o apocalipse, o bicho vai pegar.





