quarta-feira, 12 de março de 2014

Reflexões de uma quarta-feira não tão bacana


Hoje me vi diante de uma situação no trabalho muito chata. Na hora eu pensei... Preciso de um cigarro!

Não fumei, claro. E fiquei refletindo sobre essa relação entre a tensão e o cigarro, a euforia e o cigarro, o tudo e o cigarro.

Fiquei imaginando o que teria acontecido se eu ainda estivesse fumando. Eu desceria para a portaria do prédio e realizaria meu escapismo por meio do tabaco. Relaxaria, conversaria com meus amigos do fumódromo e subiria para trabalhar novamente.  Mas me responda: o que exatamente cigarro alterou nessa equação?

O problema continua lá, mesmo que entorpecido pela fumaça. Vai ter que ser resolvido, hoje, amanhã ou depois. E pensando nisso, de repente eu já não precisa mais de um cigarro.

Continuo precisando de uma solução. Mas ela está dentro de mim e não dentro do maço.

terça-feira, 11 de março de 2014

168 horas





Meu queixo acaba de dar check-in no chão, my friends. Ploft. Tá lá. 

Não são 4, não são 5, não são 6. SÃO SETE DIAS SEM FUMARRRRR. É TRETRA! É TRETRA! Beijo no ombro, beijo na boca do meu marido que também É TRETRA, e partiu rumo ao oitavo dia.

(não, eu não vou mandar um “partiu rumo a duas semanas”. Não funciona assim. Tô na vibe do “só por hoje”. Só por hoje não vou fumar, só por hoje não vou matar um, só por hoje não vou compensar a fissura em um brigadeiro.)

Anyways, acho que o mais punk desses últimos dias foi persistir em um desafio que eu mesma duvidava ser capaz de superar. E nada melhor, para quando a gente duvida de si mesmo, do que aquele empurrão pra frente dado por quem nos ama: PARA DE MIMIMI, ENGOLE O CHORO E AGUENTA ESSA PORRA.

No primeiro dia dessa jornada, quando eu ia contar para alguém, eu falava: tô parando de fumar...

Hoje, eu já posso me olhar no espelho e dizer: parei. Sem reticências.

A luta continua. Mas agora até eu acredito em mim.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Take it easy, my brother

Tô tentando entender por que é que hoje, quase cinco dias sem uma tragada, minha cabeça está tão pesada, meu corpo está sem energia e eu me sinto como se toda a pressão atmosférica estivesse sobre meus ombros.

Hoje a tarde está assim. E não tem graça.

Bebo água e fico enjoada. Esfrego o adesivo para ver se ele libera um pouco mais da ração de nicotina. Puxo o ar pelo nariz, mas não vem. Ok, estive gripada (dizem que também é sintoma, eu não confirmo) mas já era para eu estar me sentindo melhor.

Há uns dois dias que eu durmo bem mas fico com os olhos ardendo, pesados (os sonhos incomuns não me abandonaram, apenas convivo com eles. Post sobre o tópico em breve). Ontem tive que apelar para um Red Bull, que eu nem sei se funciona. Mas tô topando até placebo para me sentir mais animada.

Me pergunto se já não estava na hora de as coisas começarem a engrenar, tipo ladeira acima. Mas acho que ainda não cheguei no fim da descida. Realmente, tem sido assim: fico ótima por um tempão e, repentinamente, a fissura vem, forte, te quebra, puxa seu chão, seu ar, e você percebe que não pode se vangloriar. É preciso estar alerta e reconhecer, com humildade, que você está no início de uma batalha, é um recruta, não um general, e o inimigo é strong, meu brother.

Não sei por que tanta gente falha. Arrisco um palpite que pode ser por achar que nunca mais vai se sentir bem de novo, por acreditar que essas sensações todas serão eternamente parte da vida do ex-fumante. Não pode ser, né? Não pode ser. Alguém aí que parou de fumar, por favor, vem aqui e diz que melhora? Que essa rehab vai acabar, que a dor de cabeça vai passar sem que eu precise colocar um cigarro na boca.

Vá ao teatro. Mas não ao “O gato de botas”

E chegou o temido fim de semana. Sem trabalho, sem a rotina, como nos sairíamos, eu e meu marido, contra as fissuras do cigarro?

Como diria Obama, “Not bad, not bad at all...”, my friends! É vero que não ficamos  ilesos. Rolaram aquelas brigas clássicas sem motivo, o mau humor, a vontade de mandar o mundo pro inferno. Mas sobrevivemos.

Um conselho: se você, que me lê agora, resolver parar de fumar, nunca, mas nunca, never opte por espairecer levando sua filha em uma peça infantil. Big mistake. Huge. Pois foi exatamente quando gato de botas começou a cantar que eu tive a maior de todas as vontades de fumar do fim de semana. E de matar, também. Como não podia fazer nenhum dos dois, fiquei lá, em agonia. E nem vem  culpar meu mau humor. A peça é um lixo.

Depois não adianta Fernanda Montenegro e Marieta fazerem campanha de “Vá ao Teatro”. Querem o quê? Ficam expondo nossas crianças a essas aberrações... O mal já está feito.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Medo e delírio em Botafogo


Desde que eu parei de fumar que eu estou me sentindo completamente desorientada. Já sabia que ia sentir fissura, dor de cabeça, irritação... E vou te contar, isso tudo eu estou tirando de letra. (tirando de letra, hehehe. Amo essa expressão).

O que pouca gente comenta é essa sensação de não ser mais você mesmo que parar de fumar deixa, principalmente no meu caso, que fumava loucamente. É mais ou menos como acabar um namoro longo, só que pior. É acabar um namoro com você, só que um “você” que te faz mal, muito embora você se ame muito. (Acho que esses adesivos tem algum tipo de alucinógeno. Se liga só na frase que eu escrevi... nem vou apagar, deixo aí para provar a minha tese).

De repente eu estou precisando me reinventar, e mexer em comportamentos que estão comigo há décadas... Um exemplo: todos os dias eu acordava e partia para a varanda para fumar o primeiro cigarro. Era lá que eu pensava no dia anterior, via se conseguia lembrar de algum sonho e começava a esboçar quais seriam as prioridades do dia no trabalho. Aproveitava para lembrar se tinha alguma demanda específica da escola da Bia, algum recado para enviar pela agenda, enfim: aqueles dez minutinhos colocavam ordem na minha vida pelas próximas 24 horas.

Agora não mais.

Pensa numa pessoa que acorda, vai para a sala, senta na varanda. Daí se liga que não tem nada pra fazer lá, e que tá o maior calor, sol na cara. A pessoa entra, olha em volta e procura um lugar novo para meditar. Escolhe o sofá. Não rola. Mesa de jantar. Não vou comer nada, fico me sentindo estranha. Sala de TV. Tédio. (quem lê pensa que a minha casa é um palácio, cheio de cômodos, ampla e espaçosa. Vamos deixar assim...). Por fim, desisto e vou me arrumar o banheiro. É o caos.

Preciso de novos rituais! Fissura, dor de cabeça, irritação, tudo isso passa. Mas essa incerteza de não saber o que eu vou me tornar, para onde estou caminhando, e quando é que tudo vai voltar ao normal, é essa expectativa que me mata. Tô falando que essa coisa tem alucinógeno!

Bom fim de semana. Segunda eu volto pra contar como foi a primeira cervejada sem cigarro. Medo define.

Pelo telefone


Ligo para minha mãe para resolver uma parada urgente. Ocupado. Ligo no celular, ela antende:

- Alô?
- Oi, mãe, tudo bem? Tá podendo falar?
- Tô no outro telefone, desliga que eu te ligo.
- Tá, mas liga no celular.
- O que?
- Liga no celular!
- O QUE??
-  Mãe, liga no celular, caramba!
- Mas eu tô no outro telefone!
- Mãe, tá maluca? Você acabou de dizer que vai desligar pra me ligar!
- Tá bom, desliga que eu te ligo.
- Mãe, me liga no celular, ok?
- MAS EU NÃO SEI SEU NÚMERO!
...

Depois de ela finalmente desligar e continuar a conversa, falei o que eu tinha que falar e aproveitei para contar a novidade:

- Mãe, você não vai acreditar... Estou há 48 horas sem fumar!
- Ah, então tá explicado por que você está tão mal humorada, né?

Pano rápido.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Comecei por que comecei. Parei por que quis.


Conto que parei de fumar e é uma festa. Todo mundo é fofo, dá parabéns, abraça, incentiva. Isso é muito importante, viu? Na hora de parar de fumar, todo apoio é válido: carinho, abraço, e-mail, telefonema no meio da tarde, conselho... Eu tô curtindo.

Acho que isso ocorre por que, durante alguns dias, a sua vida passa a girar em torno da resistência ao vício. Cada passo é calculado para evitar a famosa recaída. No meu caso, como ainda estou no início da jornada, essa sensação está superintensa. Dizem que com o tempo melhora. Contando com isso fortemente.

Claro que nem todo mundo, 100%, é fofo. Tem os espíritos de porco, né? Sempre tem. Fui contar para um sujeito que tinha parado de fumar e o jeitoso mandou um vrááá na minha lata: parou tarde, não devia nem ter começado. Uma pessoa tão inteligente como você, por que começou a fumar, hein, hein?

Taí uma coisa que eu não sei responder. Sou da época do Cowboy de Marlboro, que inspirou o nome desse blog. Nos anos 80/90, eu não devia ser tão inteligente assim e não tinha essa patrulha toda anticigarro não. Muita gente fumava, e se eu bem me lembro, a primeira vez que eu botei um cigarro na boca, lá pelos meus 13 anos, eu amei aquela sensação de tontinha que me dava. Fiquei me achando madura, independente, James Dean, whatev... Nesse período, quando as propagandas de cigarro não tinham nenhuma restrição, o Hollywood lançava seus comerciais no Fantástico, fazia coletânea musical, chaveirinho, caneta, camiseta, boné... Eu tinha tudo, e saia pela rua, aos 14, 15 anos, toda logotipada com a marca de cigarro do momento. Como não amar essas décadas?

Os filmes do Free não ficavam atrás, “cada um na sua, mas com alguma coisa em comum”, e quem não queria ter algo em comum com aquelas pessoas descoladas, bem-sucedidas, cheias de estilo e pigarro matinal? Pra piorar, os cigarros foram responsáveis por alguns dos melhores shows que assisti na minha vida. A cidade parava para o Hollywood Rock, fervia pelo Free Jazz, e tinha um raro prazer com baixos teores no Carlton Dance Festival. Phino.

Como disse, não sei responder mesmo o que me levou a começar a fumar. O que me separou daqueles adolescentes que simplesmente provam d aqueles que passam a guardar dinheiro da mesada para comprar um maço. Foi tudo isso, ou nada disso, não sei. Só sei que é para frente que se anda, e essa pergunta não é relevante.

Por que eu comecei não te interessa, meu filho. E por que eu parei só diz respeito a mim.