terça-feira, 29 de abril de 2014

This is not Sparta!



Já contei aqui que um dos sintomas experimentados pelo meu marido após deixar de fumar foi a falta de filtro. Pensou, falou, ele tá uma graça.

Eu não estou assim não. Pelo contrário, até que tenho me policiado bastante, acho que justamente por receio de dar vexame por aí. Comigo, o que tá rolando é um aumento da marra e combatividade. Tô uma fera. Tudo me deixa indignada. Tudo eu quero rebater. Tô braba, rapaz. Mas me seguro. Ou pelo menos tento.

O problema é quando esse sintoma, que não é constante, resolve aflorar naquele momento totalmente nada a ver. Tipo... Sala de espera do consultório da pediatra. Vamos combinar que a minha filha já estava com tosse há uns 3 dias, eu sem dormir direito, qualquer ser humano já estaria no limite da paciência. Mas primeiro dia útil depois de um feriado de quatro dias com chuva, eu tava esperando que o consultório da médica estivesse como? Duzentas-crianças-todas-tossindo-porra! THIS IS SPARTAAAAA!

Até que eu tava administrando bem a espera e rindo por dentro de uma senhora que deixou a neta de três anos comigo para ir fumar. (ok, eu era viciada, mas isso eu nunca fiz não). Até que chegou uma garotinha de uns 10 anos, toda arrumadinha, jogando no seu DS ou o que quer que fosse aquilo.

A Bia imediatamente amou a garota. Mais velha, de maquiagem e jogando videogame... Musa da minha filha. E a garota sacou... E esnobou. Hashtag-ai-que-ódio. Ninguém esnoba minha filha, understand? Ninguém!!

"Bia, você quer o tablet?", eu perguntei... Agora ela ia tirar onda também. Mas foi só falar isso para a garotinha tirar da mochila um iPad. O queixo da Bia fez check-in no peito. E eu de novo: ninguém esnoba minha filha. Ninguém!!!!

Quando ela me entregou o tablet para babar no iPad da menina, tocou numa das fotos da nossa última viagem, que abriu. "Olha, Bia, nossas fotos do Portobello, lembra?"

Eu sei... Eu tava ridícula. Tentando tirar onda com uma garota de 10 anos. Patético. Hoje eu sei disso. Mas naquela hora..

Assim que eu falei em Portobello, a menina se acendeu toda e disse: "Portobello, nossa, eu amo aquele lugar!"

Bingo!

"Jura, amoreco?", continuei... "A Bia foi lá no ano passado e nesse ano, ela também adorou. E você, foi quando?" (na verdade, eu queria perguntar "quantas vezes", tô dizendo que eu tava sem controle)

"Meu avô tem casa lá." Cri-cri-cri...

Say whaaaaaaat?

Ainda bem que logo depois chegou a vez da Bia. Aposto como se ela fosse um pouquinho mais velha, ia me mandar fumar lá embaixo para não fazê-la passar mais vergonha. Whatever...

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Livre estou, livre estou...



Nas últimas duas semanas, fiquei fora do ar, longe de computadores e sem condições de postar. O que foi uma pena. Para escrever, eu geralmente preciso começar logo que a ideia nasce. Já percebi que esse lance de ter uma ideia e guardar para depois não funciona. Não flui. E, com isso, fiquei no bloqueio. Quem disse que a inspiração descia quando eu tinha tempo?

Dito isso, bora atualizar: estamos, eu e meu marido, no fim da segunda temporada, adesivos fase 2. Começamos com 21mg de nicotina por seis semanas. Na fase 2, são 14 mg, se não me engano. Pra quem achava que não ia fazer diferença, adianto: você vai sentir saudade daqueles miligramas perdidos, my friend.

Mas estamos firmes.

Enfrentamos mais algumas festas, algumas frituras, rodas de amigos fumantes. E é nessa fase que sinto que eu e meu marido estamos nos distanciando. Ele tem tido bem mais facilidade na migração de dosagens do que eu. Mas ambos começam a temer o dia em que estaremos livres dos adesivos e, dizem, livres do cigarro. Sem a nicotina medicinal, quem irá nos proteger? Ou melhor: quem irá nos segurar e proteger o resto do mundo? Quem viver, verá...


quarta-feira, 9 de abril de 2014

Hey Ho, Let´s Go!




Hoje me deu a maior vontade de fumar ever. Foi tanta que fiquei esfrengando meu adesivo para ver se ele liberada mais nicotina. Adiantou...

Eu e meu marido paramos de fumar com os adesivos Niquitin. Ganhamos de um grande amigo um tratamento completo, que não é barato. O gesto nos inspirou ainda mais a deixar o cigarro, a levar a sério. Por que desejo de parar de fumar, a gente tinha há um tempão. Mas e a força de vontade para sair da inércia? E o medo de fracassar? Por que a gente não queria tentar. Queria parar.

Com relação aos adesivos, para quem quer parar de uma vez e é fumante hardcore, eu recomendo. Não vou dizer que resolveu tudo, 100%, mas pelo que andei lendo por aí, ajudou e muito. Nos primeiros dias a minha maior ansiedade foi devido ao tal vício comportamental. Já falei disso aqui, as tais situações do dia a dia que eram marcadas por um ou dois cigarrinhos amigos. Depois, quando a nicotina saiu do meu corpo, veio a crise de abstinência braba. Essa foi um tapa no meio da minha cara.

 Li que quando você fuma, o cérebro desenvolve novos receptores para a nicotina que, tal qual bebês, gritam de fome de duas em duas horas. Agora, experimenta não atender os receptores no seu primeiro choro? Os caras xingam, batem, têm ataques de perereca, dão vertigem, dor de cabeça, fazem você tentar matar quem está por perto... Tudo para que você ceda a esse canto da sereia invertido e fume. Fumou, eles aquietam. Barriga cheia, sabe como é...

Nos primeiros dias sem fumar, foi brabo. Mas posso afirmar que o adesivo de nicotina deu aquela moral. O tratamento leva 10 semanas para quem, como eu, fumava loucamanete. Em tese, ao fim do período, você tá free. Uma coisa bem detox, mesmo. Estamos na quinta semana e embora todos marcados de cola pelo corpo inteiro, não me arriscaria a tentar parar de fumar a seco, sem gelo, cowboy style.

Agora, um alerta: sabe aqueles receptores neurais son of a bicthes? Com o tempo e sem a nicotina, pelo que a minha amiga Maria Amélia, especializada em terapias cognitivas, me disse, eles arrumam outra coisa pra fazer, viram zumbis hibernando, sei lá.... Mas não morrem. Eles não morrem nunca. E essa é a grande ameaça para todo ex-fumante. Por que o tempo passa, você tá lá todo pimpão, dois anos sem dar uma tragada e pensa: tô seguro, vou fumar um cigarrinho. Ledo engano.

Bastou a nicotina ser absorvida pelos alvéolos pulmonares, my friend, para rolar uma party in your brain. Quem viu disse que é uma loucura: é Ramones rolado no volume máximo, neurônio tirando a roupa, agradecendo ao céus ajoelhado, acende tudo igual árvore de  natal. E para apagar de novo, só passando por todo aquele processo de crise de abstinência outra vez.


A batalha é sangrenta e a verdade é que ninguém está seguro. É a pura verdade. Sei que parece frase de promo da próxima temporada do “The Walking Dead”. E é.  

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Yippee ki-yay, motherfucker!




Um mês sem cigarro e contando... Mas ainda aguardando um dos efeitos benéficos tão alardeados pelo abandono do meu vício. Sim, eu estou subindo escadas que é uma beleza. No último sábado, levei minha filha a uma festinha de aniversário que contou com uma caça ao tesouro no play. 

Subi uma pirambeira, viu? Ticontar... Ladeira em zigue-zague, escadas eternas no fim, e lá estava eu, firme, ofegante mas viva, ao lado das crianças, e na frente de muitos que nunca fumaram. Inclusive, concluí a subida bastante dignamente, e teve gente que parou no meio. Com relação ao fôlego, check. Tô bem malandrinha...

Mas e aquele lance do paladar apurado, que faria com que qualquer alimento se parecesse com lanche élfico Lembas? So far, as nevascaranhas continuam tendo gosto de... Guess what? Nevascaranhas! (long live Willy Wonka – depois da exposição Game Of Thrones, tô muito nerd).

No mais, confesso que ainda fico tentada quando vejo um filme onde o personagem mais badass acende um cigarro. Resquícios de quando eu era jovem e crédula, e realmente achava que John McClane conseguiria fumar dois maços de cigarro pra depois subir correndo os mais de 100 andares do Nakatomi Plaza e salvar a pátria. Ah, má vá... 


sexta-feira, 4 de abril de 2014

30 dias sem ele

Parar de fumar tem vários efeitos colaterais notórios: ansiedade, que é prontamente acalmada com guloseimas, o que nos leva ao também clássico aumento de peso, sintoma que faz muita mocinha por aí desistir de parar de fumar (not me! Eu parei de fumar e tô fazendo dieta, já emagreci 3 quilos, por que sofrimento pouco é bobagem).

Irritabilidade é outro. Como eu já andava meio farpada antes, não notei muito isso não. Acho que fiquei até mais controlada, tamanho o medo de fazer uma grosseria gratuita por aí. Tristeza, até depressão em alguns casos. Dor de cabeça. É uma pemba, viu? Uma pemba...

Mas tudo isso pode ser amenizado com o apoio dos amigos, família, companheiro (a). No meu caso, meu marido resolveu me apoiar do forma mais extrema: ele também parou de fumar. O que é ao mesmo fofo e temerário. Por que no caso dele, parar de fumar veio acompanhado de um sintoma incomum: ele está sem filtro. #nofilter

Desde que ele parou de fumar que está brincando de supersincero. E não é para magoar, ou por que ele está irritado. E que ele perdeu aquela teia, aquele coador mental de pensamentos, cujos poros barram as palavras e idéias insanas antes que elas saiam pela boca e causem um estrago maior. A gente pensa. Mas não fala. Com ele, não está assim. Tá falando tudo, pensou, falou.

“Amor”, eu disse, “Você não vai imaginar quem é que vai vir abrir a exposição do Game of Thrones!”. Game of Thrones é a saga literária e série de TV mais amada do momento. Somos muito fãs. Tipo muito. E neste sábado, 5 de abril, o canal HBO, que produz a série, vai trazer uma exposição-magya com mais de 100 peças utilizadas nas filmagens. A entrada é free, com ingressos limitados, que esgotaram em cerca de duas horas. E a gente tem dois! E vai ser tudo. Winter is coming! Entendedores entenderão. Fim da digressão.

“Amor”, insisti, “A exposição, vai vir uma atriz da séria, adivinha qual! A BRIENNE!!!! A BRIENNE, CARA!!”

“PORRA!”, ele disse... E olhou para mim, sua ESPOSA, e completou: “Com tanta atriz gostosa no Game Of Thrones eles tinham que trazer justo a mais baranga?”

Say whaaaaaaat? Como eu disse: #nofilter

By the way, 30 dias today! Mas não vou fazer alarde. O lema é só por hoje e não só por 30 dias, parando de fumar pra sempre, um dia por vez.