terça-feira, 8 de julho de 2014

Craque também torce!




É hoje, Brasil. É hoje que todos os anos de preparação são colocados à prova. Que nosso coração é colocado à prova. Que a gente vai abraçar qualquer um na rua por que a vontade é de abraçar quem tá no campo, quem foi pra luta. Quem entrou pro tudo ou nada. É hoje.

É hoje, Brasil. É hoje que a gente vai do inferno ao céu em um segundo. Que a gente vai segurar aquele grito de gol na garganta. Até chegar a hora de soltar. E se essa hora chegar... Ah, se ela chegar...

E vai chegar explodindo como uma represa que de repente não segura mais nada. Tal como aquele goleiro que não segurou o chute, que aceitou o gol, e como o atacante que soltou o pé e falou: vai. Vai que dá rede você não passa. Mas quase passou. Também... Um povo inteiro chutando junto, se a rede não segurasse, a gente ia até entender.

É hoje, Brasil. E pena que não é agora. Por que eu to pronta. Quero entrar logo. Quero viver esse jogo, e depois olhar pra longe e dizer pra quem só pôde vir no meu coração: valeu! Você nos ajudou a chegar até aqui. Agora a gente te leva até a Taça. #forçaneymar #craquetambémtorce

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Quando o coração sai pela boca... e volta.





Jogo Brasil x Colômbia bombando. Falatório, Neymar contundido, confusão, gritaria. Ainda nem sabíamos da notícia fatídica que tiraria o maior craque da Copa e eu já estava no meu limite. Eu pre-ci-sa-va fumar. Tipo sério. Tipo #medáumcigarroporra. Até um gudang eu tava encarando.

Pra amenizar, fazia uns bate-e-volta no fumódromo só pra cheirar aquele fumacê. E foi numa dessas idas que esbarrei com meu marido, voltando...

- Amor, fica calma, tá? Dei duas tragadas no cigarro do Nanado mas foi só isso!

Fiquei sem ar. Travei. Minha cara de pânico deve ter dado pena, por que logo a seguir ele se entregou, rindo: "É mentira!!! Tô zoando!!! Fui lá só pra sentir a fumaça, BRASIL, BRASIL, BRASIL!!!"

Porra... É sério. Isso não se faz. O pior é que eu não sei o que me mais assustou: se foi o medo de vê-lo escorregar ou a minha animação inconsciente, pois assim que ele falou que tinha fumado, um pensamento me atingiu feito raio: SAI DA FRENTE, RAPAZ, VOU TAMBÉM!!!!!!!!!

Ainda bem que ele esclareceu logo a piada. Mais meio segundo e eu já tinha me perdido.

(Octavio, e isso só reforça minha teoria de que sem você nessa eu não tinha passado nem da primeira hora...)

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Eu melhor sem mim



Quando a gente para de fumar, as primeira semanas giram em torno disso. Você come, dorme, acorda e respira sua luta: parar de fumar. E teve amigo meu que me pediu para não falar mais disso, acredita? Que tava enchendo o saco.

Devia estar mesmo. So what? Atura, cara! É exatamente isso que você tem que dizer para algum amigo seu que resolver que não aguenta mais te ouvir falar sobre parar de fumar. Atura.

Vamos combinar que você é uma pessoa bacana, que já segurou as pontas pra muita gente, que já aturou muita pisada de bola daquele seu brother que, agora, fica de mimimi dizendo pra você virar o disco.

EU TÔ VIRANDO A DISCOTECA INTEIRA, MY FRIEND!

E é nessa hora que o amigo que tá somando senta do seu lado, segura sua mão, e escuta quieto, pela gazilhonésima vez, que a fissura tá batendo, que hoje você mordeu o cotovelo de vontade, que tá mal, que tá bom, que tá qualquer coisa.

Igual a quando a gente leva um fora e fica semanas remoendo, sofrendo, e só fala do término, do adeus. O amigo fica lá, seca suas lágrimas, te leva pra night, te traz de volta bêbado e te faz companhia na ressaca do dia seguinte, escutando sempre a mesma ladainha.

Taí, não tinha pensado nisso... Parar de fumar é como levar um fora, só que de si mesmo. Aquele fumante que morava dentro de você vai embora, deixa a maior saudade, você chora, pede para ele voltar.

Até que um dia você percebe que está muito melhor agora, que aquele relacionamento era tóxico, só te fazia mal. Teve seus bons momentos? Claro que teve. O que não tem mais é volta.

Em tempo: um agradecimento especialíssimo aqui para todos os meus amigos queridos que ficaram do meu lado aplaudindo, os de perto e os virtuais (né, Debora, né Milena?), os da família e os agregados. E o amado, meu melhor amigo e marido, que entrou nessa comigo e estamos juntos saindo do outro lado. 

sexta-feira, 13 de junho de 2014

#vaitercopamasnãovaiterlegado



Copa sem cigarro... Dá pra rolar? Tem que dar, né? Não tenho escolha.

Considerando que eu comecei a fumar com uns 20 anos de idade, minha primeira Copa como fumante foi 94. Foram cinco copas sem cigarro e cinco copas fumando, deu empate.

Ontem, eu também comecei minha caminhada rumo ao Hexa. Mas foi canja. Recebendo amigos em casa, nem me estressei com o jogo. As crianças corriam de um lado para o outro, parando para gritar junto com os adultos a cada gol do Brasil. No segundo tempo, desci com eles para o play e não tive absolutamente nenhuma vontade de fumar. Que louco. Mas a copa é um torneio curto, já dizia meu pai. É conquistada jogo a jogo, uma vitória por vez. Não pode escorregar.

Então, que venha o México. Pra cima deles!

2014 é a Copa para virar esse jogo de uma vez por todas. É 6 x 5. Rumo ao meu Hexa!

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Por onde a gente sai daqui mesmo?



Sim, emagrecer é possível após parar de fumar. Eu tô indo... Vô indo... Fui cortando as bobagens, o drink pra relaxar, revi minhas escolhas e a balança respondeu. Tá baixando. Será mesmo que vou sair ilesa do outro lado desse túnel? Ainda não dá para ver a luz. Ou dá, mas eu não estou querendo acreditar.

Tô com medo de ser algum farol, algum outro carro, e não a saída. Mas tá parecendo.

Tô parando fumar, é sério! Tô conseguindo. Estamos conseguindo. E a vida não ficou mais chata, nem mais triste.

A vontade dá cada vez menos, mas ainda dá. E tudo bem. Aprendi a conviver com ela. Tô aprendendo...

Tô parando de fumar. Mas ainda não consigo me assumir como uma ex-fumante. Tenho receio, sei lá.

Vai que dá zebra?

Vai que a luz no fim do túnel era só um carro? (Não vai ser. Não é. Já estou vendo)


quinta-feira, 29 de maio de 2014

Mangia che te fa bene!



Hoje despachei daqui do Rio para Salvador um pacote com adesivos de nicotina Fase 3, pastilhas de nicotina e muita força para a querida Milena Ramos, que está na luta para deixar o cigarro.

Eu já fiz uma semana sem adesivo e o humor está estabilizando. Ainda inspira cuidados, claro. Mas está mais equilibrado.

Agora... Lembram quando eu me gabei de que não tinha experimentado aquele sintoma do ex-fumante de comer mais, de ter mais fome? Big mistake. Huge.

Eita porra, aqui em casa tá uma mastigação frenética. Não tenho dúvidas de que os adesivos davam uma freada maneira nessa compulsão. Eu e meu marido estamos superansiosos, e ainda por cima o inverno tá chegando... Resumo: no sábado, a gente fez Focaccia, mousse de chocolate, foi uma farra. Mas a barriga tá denunciando...

Entrei na dieta novamente e apelei para o chiclete diet para combater a necessidade de mastigar alguma coisa. Disso tudo, aprendi a não me gabar.

E é por isso que eu ainda não consigo me chamar de ex-fumante. Mas tô quase lá...

quinta-feira, 22 de maio de 2014

WHO LET THE DOGS OUT?



Edmundo é um basset hound de uns 100 anos que mora no prédio da minha mãe, irmão do Edinho, já falecido. A dona é uma senhorinha bem velhinha, e todo dia ele leva ela para passear.

É sério, o cachorro leva a velhinha na praça General Osório. Por que ela é bem velhinha, sabe? Fofa, mas já meio avoadinha. E teimosa, como é comum nos velhinho avoados, que acham que ainda podem tudo, que fazem tudo, e que nunca nada vai dar errado. Um dia, dá.

Tô chegando agora no prédio da minha mãe, quando quizumba tá armada.

"Calma, Dona Leonita, mas onde foi que a senhora viu o Edmundo pela última vez?", perguntava o porteiro.

"Na praça, meu filho, mas eu cheguei aqui e ele não tava do meu lado."

É sério. A velhinha do prédio da minha mãe tinha esquecido o cachorro na praça. Pior. Só se deu conta do fato quando chegou em casa e o porteiro estranhou ela estar voltando sozinha. "Cadê o Edmundo, Dona Leonita?" Comoção geral. True story.

O problema é que a velhinha fuma. E no nervosismo, desatou acender um cigarro atrás do outro. Tragava com força, sabe? Com vontade. Tão forte que eu pensei que a bichinha ia cair pra trás numa dessas. (Vou te contar... Tem umas velhinhas que são sortudas. Fumam a vida inteira e não acontece nada. Enfim...)

Eu já tava me oferecendo pra levar a vovó na praça pra fazer o resgate e tentar filar um pouco daquela fumaça passiva quando o Edmundo apareceu no portão, esbaforido, latindo, ralhando mesmo.

Quem viu teve a certeza de que ele tava dando uma bronca na dona. (Tão rindo? Isso é por que vocês não sabem como o Edinho morreu. Deixa quieto..)

"Muito obrigada, meus filhos. O Edmundo é um safado, ainda vai me matar do coração!"

"Vai sim, Dona Leonita", eu pensei comigo... O Edmundo. O cigarro, não...

Muita calma nessa hora!!!!



Tô andando de um lado para o outro na sala, tentando lembrar o que eu tinha ido fazer lá... Minha memória tá uma piada desde que parei com os adesivos, arre!

Enquanto isso, meu marido tenta convencer minha filha a fazer alguma coisa... "Filha, senta aqui, ajuda o pai, coloca a meia..."

"Mas o que foi que eu vim fazer aqui?", vou até o micro...

"Bibi, colabora, ajuda"

"Juro que tô ficando maluca, sério, o que eu vim fazer na sala?", paro na janela...

"Papaaaaiiiiii, eu não quero, não-sei-mais-o-que...", começou a choramingar.

"Filhinha, fica calma..."

"KEEP CALM É O CACEEEETEEEEEEEE!!!!!" STOMP! CRASH! CLANK!

Juro que mandei um "keep calm é o cacete" bem no meio da sala.

Fica pior... Sei lá por que motivo eu ainda joguei o celular espalhafatosamente no móvel, meio que para fazer um draminha, só que o dito caiu, desmontou e eu continuei a gritar, mas agora era pelo medo de eu ter quebrado o celular.

"Quem vai ficar calma aqui sou eu, a senhorita vai fazer seja lá o que seu pai está mandando, por que se eu ficar nervosa eu vou começar a gritar, e ninguém aqui vai QUERER ME VER COMEÇAR A GRITAAAARRR!"

Abaixei para catar as peças do celular, bateria, chip, whatever. Meu marido e minha filha me olhavam sentados no sofá, mudos, imóveis, boca aberta, expressões de surpresa e piedade. Acho que perceberam que era melhor se entenderem logo.

Bia esticou o pezinho e deixou o pai colocar a tal meia, sem reclamar e sem tirar o olho de mim. Por via das dúvidas, meu marido foi no quarto e colocou uma meia também. No caminho, me deu um beijo. Ninguém disse mais nada e a partir daí, a noite foi uma verdadeira paz.


segunda-feira, 19 de maio de 2014

No man left behind



Semana retrasada era para ser a minha última com os adesivos. E como eu estava ansiosa! Vamos combinar que a nicotina terapêutica dá uma sensação estranha de estar roubando no jogo, sei lá. Eu queria nadar sem boia, andar de bicicleta sem rodinha, gente grande, the real thing.

Era para tirarmos o último adesivo numa terça, but what the hell, era sábado, e meu marido tirou o dele for good. Fui na onda. Fui #dicumtudo. (Fui di... hehehe) E rolamos juntos ladeira abaixo.

Já tinha esquecido das nossas brigas homéricas oriundas da abstinência do cigarro. Uma vez que nossos organismos se habituavam com a dosagem dos adesivos, ficávamos diboa, e com o passar das semanas, voltamos a ser aquele casal normal que nunca-tinha-brigado-na-vida-até-antes-de-parar-de-fumar.

Mas sem os adesivos, é sério, a parada ficou tensa de novo. E nem era a vontade de fumar, não. Era a impaciência, a fúria, a vontade de pular um no outro.

Mas pelo menos, dessa vez, a gente identificou rapidamente o motivo das brigas e tomou uma decisão: ele iria primeiro e eu ficaria com o adesivo, segurando as pontas e dando apoio. Deu certo. Essa semana é a minha vez, ele volta para me buscar. Ele já tá mais tranquilo e tem que me consolar, me sustentar até meu corpo parar de gritar por aqueles 7mg de nicotina terapêuitca diários.

Por que a gente se ama muito. Na saúde e na doença. Na riqueza e na pobreza. E na rehab também.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Cacete de agulha!



De todas as vantagens de parar de fumar, a mais importante é, sem dúvida, o fato de eu agora poder ser um exemplo pra minha filha. "Ensina pelo exemplo", meu pai sempre dizia.

Ensina pelo exemplo.

E vamos falar francamente: se tem tanto jovem por aí que começou a fumar por causa de um cowboy desconhecido e rústico (ui), por causa de uma galera sarada fazendo windsurf, imagina o poder da influência de um pai fumante. Pensa numa responsabilidade...

(ninguém mais faz wind hoje em dia. Saiu de moda. Se ainda existissem comerciais do Hollywood, o pessoal faria stand up. Caído. Wind era muito mais radical)

Agora eu não preciso mais me esconder, não preciso mais tentar explicar para ela por que a mamãe fuma se a mamãe diz que o cigarro é coisa feia, que faz tanto mal. A mamãe, afinal de contas, é burra? Faltou a essa aula? E vou te contar: a bichinha tá orgulhosa. Por mais nova que seja, ela sabe. Ela sente que as coisas estão diferentes e eu fico aqui torcendo para ter parado de fumar a tempo de não prejudicá-la, de não influenciá-la. Só o tempo dirá se foi tarde demais, e eu terei de conviver com isso.

Ensina pelo exemplo. O que nos leva à última quinta-feira, penúltimo dia de vacinação contra gripe.

Tô lá, do alto da minha sabedoria materna, explicando para uma argumentadora de cinco anos que tem que tomar, mandando a real, sem dourar a pílula. Tem que se proteger, você já não é mais um bebê, vacina é coisa séria, um picadinha (ah, má vá...), yadda, yadda, yadda...

Mas ela é minha filha, né? Na hora do cadastro, bem na frente da funcionária, ela solta um "mas mãe, se é tão importante, por que você não se vacina?" Ora, ora, minha pequena padawan, well played. "Mas aqui não tem para adulto, darling, só crianças e velhinhos, veja só", eu respondi, apontando aliviada para a galera da fila.

"Mas se a senhora quiser", interrompeu a moça do cadastro, "pode se vacinar sim. E agora, junto com ela. Todo ano sobra mesmo, vai lá. Dá o exemplo."

Na boa, é um complô. A moça do posto tá mancomunada com a minha filha!

Ameacei, num balbucio, um "cala-a-boca-minha-senhora-tá-maluca-já-não-basta-parir-tem-que-se-vacinar-junto-também?" quando ouvi minha filha falando em tom de deboche (ela tem só 5 anos, mas juro que dava pra sentir a alegria da vingança em sua voz): "mãe, é só uma picadiiiiinhaaaa, vai?" You´re going down!

Sorri ao me ver presa na minha própria armadilha de ironia. Era a a hora da verdade.

Ensina pelo exemplo. 

Tomei a vacina. E saímos do posto juntas e triunfantes, ambas apertando nossos algodões da vitória. "A MINHA MÃE TOMOU VACINA COMIGO", ela contou para o jornaleiro, o rapaz da farmácia e o gari.

É. Talvez eu não tenha parado de fumar tarde demais.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Take a walk on the wild side...



Esqueci de falar sobre a festa infantil na qual eu tirei a foto com Anakin, aka Darth Vader, de dois posts abaixo, no Star Wars Day (Eeee!). Festa infantil sem cigarro. Sem aquela pausa, aquela fuga de Alcatraz lá para fora para dar as tragadas da sanidade. Por que nessas festas infantis, os fumantes são os únicos que conseguem manter um pouco do equilíbrio.

No, not for me. Fiquei lá, firme, na coca-cola, as 4 horas inteiras. Mas tive uma compensação.

A gente percebe que não cresceu quando o locutor anuncia que Darth Vader está chegando e você sente seu coração acelerar ao som da marcha imperial. E digo mais: o choro das crianças morrendo de medo só ajudou a compor o clima. O cara chegou, sabre de luz aceso, tudo piscando e eu fiquei como? Apavoradamente feliz!

O problema foi que Mr Vader chegou e ficou. E vamos combinar que ver o maior vilão de todos os tempos torcendo na brincadeira do lenço-atrás e dançando na discoteca a música da Elefanta Bila Bilú só me fez querer mais ainda um cigarro.

"Luke, I am your father! Agora pega ali mais uns brigadeiros pro papai..."

#dicumforça

terça-feira, 6 de maio de 2014

Milena, te dedico!



Fiquei refletindo sobre uma troca de mensagens entre mim e a Milena, blogueira, ex-fumante e amiga virtual na mesma batalha que eu. Ela me contou em um comentário no post abaixo que já tinha tido "vários fracassos", que já tinha tentado parar de fumar umas 4 vezes, e que essa era a quinta, e coisa e tal.

E isso não saiu da minha cabeça por umas três horas. Fracassos. Fracassar. Mas em se tratando de parar de fumar, o que realmente é fracassar?

Pode crer, Milena. Já li sobre algumas experiências de pessoas que "fraquejaram", que fumaram depois de parar, que voltaram a fumar. E aquele cigarro do retorno é classificado como, sei lá, o crime capital, o pecado supremo, vergonha. The horror, the horror...

Vamos combinar que assim fica difícil, né? Quer dizer que somente a primeira tentativa de parar de fumar tem valor? Se a gente não conseguir de prima, vai tudo pro beleléu? (taí, são poucas as coisas que eu nunca escrevi na vida, já que sempre trabalhei escrevendo, mas "beleléu", primeira vez! Nem gosto muito dessa expressão, mas tinha que usar, né? Tipo: beleléu, check!)

Talvez seja por isso que eu tenha demorado tanto tempo para resolver parar. Talvez não! Foi exatamente por isso. E vamos combinar que, por essa ótica, a Milena foi muito mais corajosa do que eu. Assumiu os deslizes, caiu, levantou e está aí, na quinta tentativa, espinha ereta, mente não tão quieta, mas caminhando.

Tava limpo e fumou? Encara de novo, ué. Sem crise, sem fim do mundo, sem mimimi. Se você um dia cair num buraco, tentar sair e escorregar na primeira vez, vai desistir e morar lá dentro pra sempre igual um tatu?

Claro que não.

Por que nesse game, só fracassa de verdade quem para de tentar.


Que a força esteja com todos nós...



Reta final dos adesivos, chegamos à última semana. Mesmo sabendo que ainda tenho uma longa e eterna luta pela frente, não deixa de ser um interessante rito de passagem para se esperar. Agradeço muito por eles terem me trazido até aqui em segurança. Dentro de poucos dias, estarei por conta própria. Be afraid, be very afraid...

Falo isso pois nos últimos quatro ou cinco dias eu me peguei quase fumando umas 30 vezes. É mais ou menos como se meu corpo tivesse cansado dessa brincadeira.

"Ok, baby. Você já provou ao mundo que consegue, super curti sua atitude. Mas agora chega, né? Já perdeu a graça. Volta logo a fumar que você nasceu para isso!"

Porra! É Hannibal Lecter, é Darth Vader na veia me incentivando a matar de novo. E para combater o o lado negro da força, agora eu dei para falar sozinha. Mas em gritos espasmódicos. Imagina a cena:

Você está parado na rua aguardando o sinal abrir, ao lado de uma pessoa aparentemente normal. De repente essa pessoa explode num grito, dá um tapa no ar, sacode a cabeça num relincho: "ME DEIXA EM PAZZZZ PORRAAAAAAA!"

Você pensa: esquizofrênica, claro.

Nope... É ex-fumante mesmo.

terça-feira, 29 de abril de 2014

This is not Sparta!



Já contei aqui que um dos sintomas experimentados pelo meu marido após deixar de fumar foi a falta de filtro. Pensou, falou, ele tá uma graça.

Eu não estou assim não. Pelo contrário, até que tenho me policiado bastante, acho que justamente por receio de dar vexame por aí. Comigo, o que tá rolando é um aumento da marra e combatividade. Tô uma fera. Tudo me deixa indignada. Tudo eu quero rebater. Tô braba, rapaz. Mas me seguro. Ou pelo menos tento.

O problema é quando esse sintoma, que não é constante, resolve aflorar naquele momento totalmente nada a ver. Tipo... Sala de espera do consultório da pediatra. Vamos combinar que a minha filha já estava com tosse há uns 3 dias, eu sem dormir direito, qualquer ser humano já estaria no limite da paciência. Mas primeiro dia útil depois de um feriado de quatro dias com chuva, eu tava esperando que o consultório da médica estivesse como? Duzentas-crianças-todas-tossindo-porra! THIS IS SPARTAAAAA!

Até que eu tava administrando bem a espera e rindo por dentro de uma senhora que deixou a neta de três anos comigo para ir fumar. (ok, eu era viciada, mas isso eu nunca fiz não). Até que chegou uma garotinha de uns 10 anos, toda arrumadinha, jogando no seu DS ou o que quer que fosse aquilo.

A Bia imediatamente amou a garota. Mais velha, de maquiagem e jogando videogame... Musa da minha filha. E a garota sacou... E esnobou. Hashtag-ai-que-ódio. Ninguém esnoba minha filha, understand? Ninguém!!

"Bia, você quer o tablet?", eu perguntei... Agora ela ia tirar onda também. Mas foi só falar isso para a garotinha tirar da mochila um iPad. O queixo da Bia fez check-in no peito. E eu de novo: ninguém esnoba minha filha. Ninguém!!!!

Quando ela me entregou o tablet para babar no iPad da menina, tocou numa das fotos da nossa última viagem, que abriu. "Olha, Bia, nossas fotos do Portobello, lembra?"

Eu sei... Eu tava ridícula. Tentando tirar onda com uma garota de 10 anos. Patético. Hoje eu sei disso. Mas naquela hora..

Assim que eu falei em Portobello, a menina se acendeu toda e disse: "Portobello, nossa, eu amo aquele lugar!"

Bingo!

"Jura, amoreco?", continuei... "A Bia foi lá no ano passado e nesse ano, ela também adorou. E você, foi quando?" (na verdade, eu queria perguntar "quantas vezes", tô dizendo que eu tava sem controle)

"Meu avô tem casa lá." Cri-cri-cri...

Say whaaaaaaat?

Ainda bem que logo depois chegou a vez da Bia. Aposto como se ela fosse um pouquinho mais velha, ia me mandar fumar lá embaixo para não fazê-la passar mais vergonha. Whatever...

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Livre estou, livre estou...



Nas últimas duas semanas, fiquei fora do ar, longe de computadores e sem condições de postar. O que foi uma pena. Para escrever, eu geralmente preciso começar logo que a ideia nasce. Já percebi que esse lance de ter uma ideia e guardar para depois não funciona. Não flui. E, com isso, fiquei no bloqueio. Quem disse que a inspiração descia quando eu tinha tempo?

Dito isso, bora atualizar: estamos, eu e meu marido, no fim da segunda temporada, adesivos fase 2. Começamos com 21mg de nicotina por seis semanas. Na fase 2, são 14 mg, se não me engano. Pra quem achava que não ia fazer diferença, adianto: você vai sentir saudade daqueles miligramas perdidos, my friend.

Mas estamos firmes.

Enfrentamos mais algumas festas, algumas frituras, rodas de amigos fumantes. E é nessa fase que sinto que eu e meu marido estamos nos distanciando. Ele tem tido bem mais facilidade na migração de dosagens do que eu. Mas ambos começam a temer o dia em que estaremos livres dos adesivos e, dizem, livres do cigarro. Sem a nicotina medicinal, quem irá nos proteger? Ou melhor: quem irá nos segurar e proteger o resto do mundo? Quem viver, verá...


quarta-feira, 9 de abril de 2014

Hey Ho, Let´s Go!




Hoje me deu a maior vontade de fumar ever. Foi tanta que fiquei esfrengando meu adesivo para ver se ele liberada mais nicotina. Adiantou...

Eu e meu marido paramos de fumar com os adesivos Niquitin. Ganhamos de um grande amigo um tratamento completo, que não é barato. O gesto nos inspirou ainda mais a deixar o cigarro, a levar a sério. Por que desejo de parar de fumar, a gente tinha há um tempão. Mas e a força de vontade para sair da inércia? E o medo de fracassar? Por que a gente não queria tentar. Queria parar.

Com relação aos adesivos, para quem quer parar de uma vez e é fumante hardcore, eu recomendo. Não vou dizer que resolveu tudo, 100%, mas pelo que andei lendo por aí, ajudou e muito. Nos primeiros dias a minha maior ansiedade foi devido ao tal vício comportamental. Já falei disso aqui, as tais situações do dia a dia que eram marcadas por um ou dois cigarrinhos amigos. Depois, quando a nicotina saiu do meu corpo, veio a crise de abstinência braba. Essa foi um tapa no meio da minha cara.

 Li que quando você fuma, o cérebro desenvolve novos receptores para a nicotina que, tal qual bebês, gritam de fome de duas em duas horas. Agora, experimenta não atender os receptores no seu primeiro choro? Os caras xingam, batem, têm ataques de perereca, dão vertigem, dor de cabeça, fazem você tentar matar quem está por perto... Tudo para que você ceda a esse canto da sereia invertido e fume. Fumou, eles aquietam. Barriga cheia, sabe como é...

Nos primeiros dias sem fumar, foi brabo. Mas posso afirmar que o adesivo de nicotina deu aquela moral. O tratamento leva 10 semanas para quem, como eu, fumava loucamanete. Em tese, ao fim do período, você tá free. Uma coisa bem detox, mesmo. Estamos na quinta semana e embora todos marcados de cola pelo corpo inteiro, não me arriscaria a tentar parar de fumar a seco, sem gelo, cowboy style.

Agora, um alerta: sabe aqueles receptores neurais son of a bicthes? Com o tempo e sem a nicotina, pelo que a minha amiga Maria Amélia, especializada em terapias cognitivas, me disse, eles arrumam outra coisa pra fazer, viram zumbis hibernando, sei lá.... Mas não morrem. Eles não morrem nunca. E essa é a grande ameaça para todo ex-fumante. Por que o tempo passa, você tá lá todo pimpão, dois anos sem dar uma tragada e pensa: tô seguro, vou fumar um cigarrinho. Ledo engano.

Bastou a nicotina ser absorvida pelos alvéolos pulmonares, my friend, para rolar uma party in your brain. Quem viu disse que é uma loucura: é Ramones rolado no volume máximo, neurônio tirando a roupa, agradecendo ao céus ajoelhado, acende tudo igual árvore de  natal. E para apagar de novo, só passando por todo aquele processo de crise de abstinência outra vez.


A batalha é sangrenta e a verdade é que ninguém está seguro. É a pura verdade. Sei que parece frase de promo da próxima temporada do “The Walking Dead”. E é.  

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Yippee ki-yay, motherfucker!




Um mês sem cigarro e contando... Mas ainda aguardando um dos efeitos benéficos tão alardeados pelo abandono do meu vício. Sim, eu estou subindo escadas que é uma beleza. No último sábado, levei minha filha a uma festinha de aniversário que contou com uma caça ao tesouro no play. 

Subi uma pirambeira, viu? Ticontar... Ladeira em zigue-zague, escadas eternas no fim, e lá estava eu, firme, ofegante mas viva, ao lado das crianças, e na frente de muitos que nunca fumaram. Inclusive, concluí a subida bastante dignamente, e teve gente que parou no meio. Com relação ao fôlego, check. Tô bem malandrinha...

Mas e aquele lance do paladar apurado, que faria com que qualquer alimento se parecesse com lanche élfico Lembas? So far, as nevascaranhas continuam tendo gosto de... Guess what? Nevascaranhas! (long live Willy Wonka – depois da exposição Game Of Thrones, tô muito nerd).

No mais, confesso que ainda fico tentada quando vejo um filme onde o personagem mais badass acende um cigarro. Resquícios de quando eu era jovem e crédula, e realmente achava que John McClane conseguiria fumar dois maços de cigarro pra depois subir correndo os mais de 100 andares do Nakatomi Plaza e salvar a pátria. Ah, má vá... 


sexta-feira, 4 de abril de 2014

30 dias sem ele

Parar de fumar tem vários efeitos colaterais notórios: ansiedade, que é prontamente acalmada com guloseimas, o que nos leva ao também clássico aumento de peso, sintoma que faz muita mocinha por aí desistir de parar de fumar (not me! Eu parei de fumar e tô fazendo dieta, já emagreci 3 quilos, por que sofrimento pouco é bobagem).

Irritabilidade é outro. Como eu já andava meio farpada antes, não notei muito isso não. Acho que fiquei até mais controlada, tamanho o medo de fazer uma grosseria gratuita por aí. Tristeza, até depressão em alguns casos. Dor de cabeça. É uma pemba, viu? Uma pemba...

Mas tudo isso pode ser amenizado com o apoio dos amigos, família, companheiro (a). No meu caso, meu marido resolveu me apoiar do forma mais extrema: ele também parou de fumar. O que é ao mesmo fofo e temerário. Por que no caso dele, parar de fumar veio acompanhado de um sintoma incomum: ele está sem filtro. #nofilter

Desde que ele parou de fumar que está brincando de supersincero. E não é para magoar, ou por que ele está irritado. E que ele perdeu aquela teia, aquele coador mental de pensamentos, cujos poros barram as palavras e idéias insanas antes que elas saiam pela boca e causem um estrago maior. A gente pensa. Mas não fala. Com ele, não está assim. Tá falando tudo, pensou, falou.

“Amor”, eu disse, “Você não vai imaginar quem é que vai vir abrir a exposição do Game of Thrones!”. Game of Thrones é a saga literária e série de TV mais amada do momento. Somos muito fãs. Tipo muito. E neste sábado, 5 de abril, o canal HBO, que produz a série, vai trazer uma exposição-magya com mais de 100 peças utilizadas nas filmagens. A entrada é free, com ingressos limitados, que esgotaram em cerca de duas horas. E a gente tem dois! E vai ser tudo. Winter is coming! Entendedores entenderão. Fim da digressão.

“Amor”, insisti, “A exposição, vai vir uma atriz da séria, adivinha qual! A BRIENNE!!!! A BRIENNE, CARA!!”

“PORRA!”, ele disse... E olhou para mim, sua ESPOSA, e completou: “Com tanta atriz gostosa no Game Of Thrones eles tinham que trazer justo a mais baranga?”

Say whaaaaaaat? Como eu disse: #nofilter

By the way, 30 dias today! Mas não vou fazer alarde. O lema é só por hoje e não só por 30 dias, parando de fumar pra sempre, um dia por vez.



quinta-feira, 27 de março de 2014

CHOSE DE LOC!


Surtei no fim de semana por que meu marido me pediu para lavar a louça. Lavei, chorando. Foi uma cena. Viro pra ele e pergunto: mas você não tá nervoso com esse lance de parar de fumar? Não mexeu com você nadinha essa falta de nicotina? “Não”, ele me respondeu. “Tô beeeem tranquilo mesmo, até achei que fosse ser mais difícil”, ele complementou, para depois ir até a cozinha.

Voltou aos gritos: “Acabou o suco? Porra, com é que me acaba o suco?”
“Calma, amor, não fui eu quem tomou, vou avisar para não tomarem mais seu suco, não fica brabo comigo, lindo...”
“Eu não tô bravo com você! Eu não tô bravo com você! EU NÃO TÔ BRAVO! Só tô puto por que acabou o suco, e agora eu quero tomar suco, e eu tô nervoso!”

É, ele tá beeeeem tranquilo mesmo.

A gente percebe que a coisa tá louca quando o pai e a mãe surtam e a filha de cinco anos é quem pede calma e manda os dois contarem até dez. Agora, a coisa tá feia, mas feia mesmo, quando eu acordo com vontade de acampar. Não sei qual a relação entre parar de fumar e ter vontade de acampar. Só pode ser efeito da abstinência. É o apocalipse, o bicho vai pegar.



segunda-feira, 24 de março de 2014

Sem cigarro. Com TPM.


E quem sofre as consequências é o marido, ele próprio também na luta para deixar o cigarro e às voltas com dores musculares em virtude da malhação recém-iniciada. Mais um “sintoma” de quem deixa de fumar: a pessoa fica toda animada com os novos pulmões e também com receio dos famosos quilos a mais.

 Fazer o que? Bora “treinar” (é assim que se chama “malhar” atualmente. Não, você não vai participar de nenhuma competição. Mas vai pro treino. São tempos estranhos...).

Assim, passei o fim de semana desequilibrada hormonalmente e nicotinamente. Fiquei como? Eu tava como? Bicho brabo. Cão raivoso. Evitei até muito contato com outras pessoas não tão compreensíveis quanto o meu marido, que também não estava lá muito docinho e ainda tinha que lidar com o meu mau humor.

É como dizem por aí: na saúde e na doença, my friend. Adorou a festa, dançou, comeu salgadinho e ainda quer bolo? Atura o parabéns! (homenagem ao Baralhinho do momento, amo, quem não conhece, vale googar) Em defesa própria, preciso argumentar que lavar louça é um saco e que a máquina de lava-louças seria sim muito útil. E que eu te amo muito, meu amor!

No mais, estou em um relacionamento sério com a Nikki, do serviço de relacionamento com o cliente da DisneyStore. Uma fofa. Enviei uma mensagem pedindo ajuda para rastrear meu pedido. Ela respondeu e ainda me desejou “a Magical Day!” Respondi que ela era muito gentil e ela retornou dizendo que “We are delighted to have received your recent email!”

 Tô pensando em enviar outra mensagem contando que larguei o cigarro só para ver se ela me manda parabéns. TPM, vai embora logo, por favor...

terça-feira, 18 de março de 2014

A desadesivada de Botafogo




Esqueci o adesivo em casa. Tô sem desde de manhã. Tô sem nada, tô nua, tô pelada!

E quer saber? So far, so good. Tô no 14° dia, já vendo a luz no fim do túnel das famigeradas primeiras duas semanas (período mais punk para quem deixa o cigarro, segundo especialistas).

E tô sem a reposição de nicotina, sem crise. Beijo no ombro.

Mas vou comprar na hora do almoço, hehehe.

O dragão está dormindo tão quietinho, pra que cutucar, né?