Paramos de fumar! Desculpe, cowboy, mas você vai ficar sozinho no rancho.
quinta-feira, 26 de junho de 2014
Eu melhor sem mim
Quando a gente para de fumar, as primeira semanas giram em torno disso. Você come, dorme, acorda e respira sua luta: parar de fumar. E teve amigo meu que me pediu para não falar mais disso, acredita? Que tava enchendo o saco.
Devia estar mesmo. So what? Atura, cara! É exatamente isso que você tem que dizer para algum amigo seu que resolver que não aguenta mais te ouvir falar sobre parar de fumar. Atura.
Vamos combinar que você é uma pessoa bacana, que já segurou as pontas pra muita gente, que já aturou muita pisada de bola daquele seu brother que, agora, fica de mimimi dizendo pra você virar o disco.
EU TÔ VIRANDO A DISCOTECA INTEIRA, MY FRIEND!
E é nessa hora que o amigo que tá somando senta do seu lado, segura sua mão, e escuta quieto, pela gazilhonésima vez, que a fissura tá batendo, que hoje você mordeu o cotovelo de vontade, que tá mal, que tá bom, que tá qualquer coisa.
Igual a quando a gente leva um fora e fica semanas remoendo, sofrendo, e só fala do término, do adeus. O amigo fica lá, seca suas lágrimas, te leva pra night, te traz de volta bêbado e te faz companhia na ressaca do dia seguinte, escutando sempre a mesma ladainha.
Taí, não tinha pensado nisso... Parar de fumar é como levar um fora, só que de si mesmo. Aquele fumante que morava dentro de você vai embora, deixa a maior saudade, você chora, pede para ele voltar.
Até que um dia você percebe que está muito melhor agora, que aquele relacionamento era tóxico, só te fazia mal. Teve seus bons momentos? Claro que teve. O que não tem mais é volta.
Em tempo: um agradecimento especialíssimo aqui para todos os meus amigos queridos que ficaram do meu lado aplaudindo, os de perto e os virtuais (né, Debora, né Milena?), os da família e os agregados. E o amado, meu melhor amigo e marido, que entrou nessa comigo e estamos juntos saindo do outro lado.
sexta-feira, 13 de junho de 2014
#vaitercopamasnãovaiterlegado
Copa sem cigarro... Dá pra rolar? Tem que dar, né? Não tenho escolha.
Considerando que eu comecei a fumar com uns 20 anos de idade, minha primeira Copa como fumante foi 94. Foram cinco copas sem cigarro e cinco copas fumando, deu empate.
Ontem, eu também comecei minha caminhada rumo ao Hexa. Mas foi canja. Recebendo amigos em casa, nem me estressei com o jogo. As crianças corriam de um lado para o outro, parando para gritar junto com os adultos a cada gol do Brasil. No segundo tempo, desci com eles para o play e não tive absolutamente nenhuma vontade de fumar. Que louco. Mas a copa é um torneio curto, já dizia meu pai. É conquistada jogo a jogo, uma vitória por vez. Não pode escorregar.
Então, que venha o México. Pra cima deles!
2014 é a Copa para virar esse jogo de uma vez por todas. É 6 x 5. Rumo ao meu Hexa!
quarta-feira, 11 de junho de 2014
Por onde a gente sai daqui mesmo?
Sim, emagrecer é possível após parar de fumar. Eu tô indo... Vô indo... Fui cortando as bobagens, o drink pra relaxar, revi minhas escolhas e a balança respondeu. Tá baixando. Será mesmo que vou sair ilesa do outro lado desse túnel? Ainda não dá para ver a luz. Ou dá, mas eu não estou querendo acreditar.
Tô com medo de ser algum farol, algum outro carro, e não a saída. Mas tá parecendo.
Tô parando fumar, é sério! Tô conseguindo. Estamos conseguindo. E a vida não ficou mais chata, nem mais triste.
A vontade dá cada vez menos, mas ainda dá. E tudo bem. Aprendi a conviver com ela. Tô aprendendo...
Tô parando de fumar. Mas ainda não consigo me assumir como uma ex-fumante. Tenho receio, sei lá.
Vai que dá zebra?
Vai que a luz no fim do túnel era só um carro? (Não vai ser. Não é. Já estou vendo)
quinta-feira, 29 de maio de 2014
Mangia che te fa bene!
Hoje despachei daqui do Rio para Salvador um pacote com adesivos de nicotina Fase 3, pastilhas de nicotina e muita força para a querida Milena Ramos, que está na luta para deixar o cigarro.
Eu já fiz uma semana sem adesivo e o humor está estabilizando. Ainda inspira cuidados, claro. Mas está mais equilibrado.
Agora... Lembram quando eu me gabei de que não tinha experimentado aquele sintoma do ex-fumante de comer mais, de ter mais fome? Big mistake. Huge.
Eita porra, aqui em casa tá uma mastigação frenética. Não tenho dúvidas de que os adesivos davam uma freada maneira nessa compulsão. Eu e meu marido estamos superansiosos, e ainda por cima o inverno tá chegando... Resumo: no sábado, a gente fez Focaccia, mousse de chocolate, foi uma farra. Mas a barriga tá denunciando...
Entrei na dieta novamente e apelei para o chiclete diet para combater a necessidade de mastigar alguma coisa. Disso tudo, aprendi a não me gabar.
E é por isso que eu ainda não consigo me chamar de ex-fumante. Mas tô quase lá...
quinta-feira, 22 de maio de 2014
WHO LET THE DOGS OUT?
Edmundo é um basset hound de uns 100 anos que mora no prédio da minha mãe, irmão do Edinho, já falecido. A dona é uma senhorinha bem velhinha, e todo dia ele leva ela para passear.
É sério, o cachorro leva a velhinha na praça General Osório. Por que ela é bem velhinha, sabe? Fofa, mas já meio avoadinha. E teimosa, como é comum nos velhinho avoados, que acham que ainda podem tudo, que fazem tudo, e que nunca nada vai dar errado. Um dia, dá.
Tô chegando agora no prédio da minha mãe, quando quizumba tá armada.
"Calma, Dona Leonita, mas onde foi que a senhora viu o Edmundo pela última vez?", perguntava o porteiro.
"Na praça, meu filho, mas eu cheguei aqui e ele não tava do meu lado."
É sério. A velhinha do prédio da minha mãe tinha esquecido o cachorro na praça. Pior. Só se deu conta do fato quando chegou em casa e o porteiro estranhou ela estar voltando sozinha. "Cadê o Edmundo, Dona Leonita?" Comoção geral. True story.
O problema é que a velhinha fuma. E no nervosismo, desatou acender um cigarro atrás do outro. Tragava com força, sabe? Com vontade. Tão forte que eu pensei que a bichinha ia cair pra trás numa dessas. (Vou te contar... Tem umas velhinhas que são sortudas. Fumam a vida inteira e não acontece nada. Enfim...)
Eu já tava me oferecendo pra levar a vovó na praça pra fazer o resgate e tentar filar um pouco daquela fumaça passiva quando o Edmundo apareceu no portão, esbaforido, latindo, ralhando mesmo.
Quem viu teve a certeza de que ele tava dando uma bronca na dona. (Tão rindo? Isso é por que vocês não sabem como o Edinho morreu. Deixa quieto..)
"Muito obrigada, meus filhos. O Edmundo é um safado, ainda vai me matar do coração!"
"Vai sim, Dona Leonita", eu pensei comigo... O Edmundo. O cigarro, não...
Muita calma nessa hora!!!!
Tô andando de um lado para o outro na sala, tentando lembrar o que eu tinha ido fazer lá... Minha memória tá uma piada desde que parei com os adesivos, arre!
Enquanto isso, meu marido tenta convencer minha filha a fazer alguma coisa... "Filha, senta aqui, ajuda o pai, coloca a meia..."
"Mas o que foi que eu vim fazer aqui?", vou até o micro...
"Bibi, colabora, ajuda"
"Juro que tô ficando maluca, sério, o que eu vim fazer na sala?", paro na janela...
"Papaaaaiiiiii, eu não quero, não-sei-mais-o-que...", começou a choramingar.
"Filhinha, fica calma..."
"KEEP CALM É O CACEEEETEEEEEEEE!!!!!" STOMP! CRASH! CLANK!
Juro que mandei um "keep calm é o cacete" bem no meio da sala.
Fica pior... Sei lá por que motivo eu ainda joguei o celular espalhafatosamente no móvel, meio que para fazer um draminha, só que o dito caiu, desmontou e eu continuei a gritar, mas agora era pelo medo de eu ter quebrado o celular.
"Quem vai ficar calma aqui sou eu, a senhorita vai fazer seja lá o que seu pai está mandando, por que se eu ficar nervosa eu vou começar a gritar, e ninguém aqui vai QUERER ME VER COMEÇAR A GRITAAAARRR!"
Abaixei para catar as peças do celular, bateria, chip, whatever. Meu marido e minha filha me olhavam sentados no sofá, mudos, imóveis, boca aberta, expressões de surpresa e piedade. Acho que perceberam que era melhor se entenderem logo.
Bia esticou o pezinho e deixou o pai colocar a tal meia, sem reclamar e sem tirar o olho de mim. Por via das dúvidas, meu marido foi no quarto e colocou uma meia também. No caminho, me deu um beijo. Ninguém disse mais nada e a partir daí, a noite foi uma verdadeira paz.
segunda-feira, 19 de maio de 2014
No man left behind
Semana retrasada era para ser a minha última com os adesivos. E como eu estava ansiosa! Vamos combinar que a nicotina terapêutica dá uma sensação estranha de estar roubando no jogo, sei lá. Eu queria nadar sem boia, andar de bicicleta sem rodinha, gente grande, the real thing.
Era para tirarmos o último adesivo numa terça, but what the hell, era sábado, e meu marido tirou o dele for good. Fui na onda. Fui #dicumtudo. (Fui di... hehehe) E rolamos juntos ladeira abaixo.
Já tinha esquecido das nossas brigas homéricas oriundas da abstinência do cigarro. Uma vez que nossos organismos se habituavam com a dosagem dos adesivos, ficávamos diboa, e com o passar das semanas, voltamos a ser aquele casal normal que nunca-tinha-brigado-na-vida-até-antes-de-parar-de-fumar.
Mas sem os adesivos, é sério, a parada ficou tensa de novo. E nem era a vontade de fumar, não. Era a impaciência, a fúria, a vontade de pular um no outro.
Mas pelo menos, dessa vez, a gente identificou rapidamente o motivo das brigas e tomou uma decisão: ele iria primeiro e eu ficaria com o adesivo, segurando as pontas e dando apoio. Deu certo. Essa semana é a minha vez, ele volta para me buscar. Ele já tá mais tranquilo e tem que me consolar, me sustentar até meu corpo parar de gritar por aqueles 7mg de nicotina terapêuitca diários.
Por que a gente se ama muito. Na saúde e na doença. Na riqueza e na pobreza. E na rehab também.
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