Paramos de fumar! Desculpe, cowboy, mas você vai ficar sozinho no rancho.
quinta-feira, 29 de maio de 2014
Mangia che te fa bene!
Hoje despachei daqui do Rio para Salvador um pacote com adesivos de nicotina Fase 3, pastilhas de nicotina e muita força para a querida Milena Ramos, que está na luta para deixar o cigarro.
Eu já fiz uma semana sem adesivo e o humor está estabilizando. Ainda inspira cuidados, claro. Mas está mais equilibrado.
Agora... Lembram quando eu me gabei de que não tinha experimentado aquele sintoma do ex-fumante de comer mais, de ter mais fome? Big mistake. Huge.
Eita porra, aqui em casa tá uma mastigação frenética. Não tenho dúvidas de que os adesivos davam uma freada maneira nessa compulsão. Eu e meu marido estamos superansiosos, e ainda por cima o inverno tá chegando... Resumo: no sábado, a gente fez Focaccia, mousse de chocolate, foi uma farra. Mas a barriga tá denunciando...
Entrei na dieta novamente e apelei para o chiclete diet para combater a necessidade de mastigar alguma coisa. Disso tudo, aprendi a não me gabar.
E é por isso que eu ainda não consigo me chamar de ex-fumante. Mas tô quase lá...
quinta-feira, 22 de maio de 2014
WHO LET THE DOGS OUT?
Edmundo é um basset hound de uns 100 anos que mora no prédio da minha mãe, irmão do Edinho, já falecido. A dona é uma senhorinha bem velhinha, e todo dia ele leva ela para passear.
É sério, o cachorro leva a velhinha na praça General Osório. Por que ela é bem velhinha, sabe? Fofa, mas já meio avoadinha. E teimosa, como é comum nos velhinho avoados, que acham que ainda podem tudo, que fazem tudo, e que nunca nada vai dar errado. Um dia, dá.
Tô chegando agora no prédio da minha mãe, quando quizumba tá armada.
"Calma, Dona Leonita, mas onde foi que a senhora viu o Edmundo pela última vez?", perguntava o porteiro.
"Na praça, meu filho, mas eu cheguei aqui e ele não tava do meu lado."
É sério. A velhinha do prédio da minha mãe tinha esquecido o cachorro na praça. Pior. Só se deu conta do fato quando chegou em casa e o porteiro estranhou ela estar voltando sozinha. "Cadê o Edmundo, Dona Leonita?" Comoção geral. True story.
O problema é que a velhinha fuma. E no nervosismo, desatou acender um cigarro atrás do outro. Tragava com força, sabe? Com vontade. Tão forte que eu pensei que a bichinha ia cair pra trás numa dessas. (Vou te contar... Tem umas velhinhas que são sortudas. Fumam a vida inteira e não acontece nada. Enfim...)
Eu já tava me oferecendo pra levar a vovó na praça pra fazer o resgate e tentar filar um pouco daquela fumaça passiva quando o Edmundo apareceu no portão, esbaforido, latindo, ralhando mesmo.
Quem viu teve a certeza de que ele tava dando uma bronca na dona. (Tão rindo? Isso é por que vocês não sabem como o Edinho morreu. Deixa quieto..)
"Muito obrigada, meus filhos. O Edmundo é um safado, ainda vai me matar do coração!"
"Vai sim, Dona Leonita", eu pensei comigo... O Edmundo. O cigarro, não...
Muita calma nessa hora!!!!
Tô andando de um lado para o outro na sala, tentando lembrar o que eu tinha ido fazer lá... Minha memória tá uma piada desde que parei com os adesivos, arre!
Enquanto isso, meu marido tenta convencer minha filha a fazer alguma coisa... "Filha, senta aqui, ajuda o pai, coloca a meia..."
"Mas o que foi que eu vim fazer aqui?", vou até o micro...
"Bibi, colabora, ajuda"
"Juro que tô ficando maluca, sério, o que eu vim fazer na sala?", paro na janela...
"Papaaaaiiiiii, eu não quero, não-sei-mais-o-que...", começou a choramingar.
"Filhinha, fica calma..."
"KEEP CALM É O CACEEEETEEEEEEEE!!!!!" STOMP! CRASH! CLANK!
Juro que mandei um "keep calm é o cacete" bem no meio da sala.
Fica pior... Sei lá por que motivo eu ainda joguei o celular espalhafatosamente no móvel, meio que para fazer um draminha, só que o dito caiu, desmontou e eu continuei a gritar, mas agora era pelo medo de eu ter quebrado o celular.
"Quem vai ficar calma aqui sou eu, a senhorita vai fazer seja lá o que seu pai está mandando, por que se eu ficar nervosa eu vou começar a gritar, e ninguém aqui vai QUERER ME VER COMEÇAR A GRITAAAARRR!"
Abaixei para catar as peças do celular, bateria, chip, whatever. Meu marido e minha filha me olhavam sentados no sofá, mudos, imóveis, boca aberta, expressões de surpresa e piedade. Acho que perceberam que era melhor se entenderem logo.
Bia esticou o pezinho e deixou o pai colocar a tal meia, sem reclamar e sem tirar o olho de mim. Por via das dúvidas, meu marido foi no quarto e colocou uma meia também. No caminho, me deu um beijo. Ninguém disse mais nada e a partir daí, a noite foi uma verdadeira paz.
segunda-feira, 19 de maio de 2014
No man left behind
Semana retrasada era para ser a minha última com os adesivos. E como eu estava ansiosa! Vamos combinar que a nicotina terapêutica dá uma sensação estranha de estar roubando no jogo, sei lá. Eu queria nadar sem boia, andar de bicicleta sem rodinha, gente grande, the real thing.
Era para tirarmos o último adesivo numa terça, but what the hell, era sábado, e meu marido tirou o dele for good. Fui na onda. Fui #dicumtudo. (Fui di... hehehe) E rolamos juntos ladeira abaixo.
Já tinha esquecido das nossas brigas homéricas oriundas da abstinência do cigarro. Uma vez que nossos organismos se habituavam com a dosagem dos adesivos, ficávamos diboa, e com o passar das semanas, voltamos a ser aquele casal normal que nunca-tinha-brigado-na-vida-até-antes-de-parar-de-fumar.
Mas sem os adesivos, é sério, a parada ficou tensa de novo. E nem era a vontade de fumar, não. Era a impaciência, a fúria, a vontade de pular um no outro.
Mas pelo menos, dessa vez, a gente identificou rapidamente o motivo das brigas e tomou uma decisão: ele iria primeiro e eu ficaria com o adesivo, segurando as pontas e dando apoio. Deu certo. Essa semana é a minha vez, ele volta para me buscar. Ele já tá mais tranquilo e tem que me consolar, me sustentar até meu corpo parar de gritar por aqueles 7mg de nicotina terapêuitca diários.
Por que a gente se ama muito. Na saúde e na doença. Na riqueza e na pobreza. E na rehab também.
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Cacete de agulha!
De todas as vantagens de parar de fumar, a mais importante é, sem dúvida, o fato de eu agora poder ser um exemplo pra minha filha. "Ensina pelo exemplo", meu pai sempre dizia.
Ensina pelo exemplo.
E vamos falar francamente: se tem tanto jovem por aí que começou a fumar por causa de um cowboy desconhecido e rústico (ui), por causa de uma galera sarada fazendo windsurf, imagina o poder da influência de um pai fumante. Pensa numa responsabilidade...
(ninguém mais faz wind hoje em dia. Saiu de moda. Se ainda existissem comerciais do Hollywood, o pessoal faria stand up. Caído. Wind era muito mais radical)
Agora eu não preciso mais me esconder, não preciso mais tentar explicar para ela por que a mamãe fuma se a mamãe diz que o cigarro é coisa feia, que faz tanto mal. A mamãe, afinal de contas, é burra? Faltou a essa aula? E vou te contar: a bichinha tá orgulhosa. Por mais nova que seja, ela sabe. Ela sente que as coisas estão diferentes e eu fico aqui torcendo para ter parado de fumar a tempo de não prejudicá-la, de não influenciá-la. Só o tempo dirá se foi tarde demais, e eu terei de conviver com isso.
Ensina pelo exemplo. O que nos leva à última quinta-feira, penúltimo dia de vacinação contra gripe.
Tô lá, do alto da minha sabedoria materna, explicando para uma argumentadora de cinco anos que tem que tomar, mandando a real, sem dourar a pílula. Tem que se proteger, você já não é mais um bebê, vacina é coisa séria, um picadinha (ah, má vá...), yadda, yadda, yadda...
Mas ela é minha filha, né? Na hora do cadastro, bem na frente da funcionária, ela solta um "mas mãe, se é tão importante, por que você não se vacina?" Ora, ora, minha pequena padawan, well played. "Mas aqui não tem para adulto, darling, só crianças e velhinhos, veja só", eu respondi, apontando aliviada para a galera da fila.
"Mas se a senhora quiser", interrompeu a moça do cadastro, "pode se vacinar sim. E agora, junto com ela. Todo ano sobra mesmo, vai lá. Dá o exemplo."
Na boa, é um complô. A moça do posto tá mancomunada com a minha filha!
Ameacei, num balbucio, um "cala-a-boca-minha-senhora-tá-maluca-já-não-basta-parir-tem-que-se-vacinar-junto-também?" quando ouvi minha filha falando em tom de deboche (ela tem só 5 anos, mas juro que dava pra sentir a alegria da vingança em sua voz): "mãe, é só uma picadiiiiinhaaaa, vai?" You´re going down!
Sorri ao me ver presa na minha própria armadilha de ironia. Era a a hora da verdade.
Ensina pelo exemplo.
Tomei a vacina. E saímos do posto juntas e triunfantes, ambas apertando nossos algodões da vitória. "A MINHA MÃE TOMOU VACINA COMIGO", ela contou para o jornaleiro, o rapaz da farmácia e o gari.
É. Talvez eu não tenha parado de fumar tarde demais.
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Take a walk on the wild side...
Esqueci de falar sobre a festa infantil na qual eu tirei a foto com Anakin, aka Darth Vader, de dois posts abaixo, no Star Wars Day (Eeee!). Festa infantil sem cigarro. Sem aquela pausa, aquela fuga de Alcatraz lá para fora para dar as tragadas da sanidade. Por que nessas festas infantis, os fumantes são os únicos que conseguem manter um pouco do equilíbrio.
No, not for me. Fiquei lá, firme, na coca-cola, as 4 horas inteiras. Mas tive uma compensação.
A gente percebe que não cresceu quando o locutor anuncia que Darth Vader está chegando e você sente seu coração acelerar ao som da marcha imperial. E digo mais: o choro das crianças morrendo de medo só ajudou a compor o clima. O cara chegou, sabre de luz aceso, tudo piscando e eu fiquei como? Apavoradamente feliz!
O problema foi que Mr Vader chegou e ficou. E vamos combinar que ver o maior vilão de todos os tempos torcendo na brincadeira do lenço-atrás e dançando na discoteca a música da Elefanta Bila Bilú só me fez querer mais ainda um cigarro.
"Luke, I am your father! Agora pega ali mais uns brigadeiros pro papai..."
#dicumforça
terça-feira, 6 de maio de 2014
Milena, te dedico!
Fiquei refletindo sobre uma troca de mensagens entre mim e a Milena, blogueira, ex-fumante e amiga virtual na mesma batalha que eu. Ela me contou em um comentário no post abaixo que já tinha tido "vários fracassos", que já tinha tentado parar de fumar umas 4 vezes, e que essa era a quinta, e coisa e tal.
E isso não saiu da minha cabeça por umas três horas. Fracassos. Fracassar. Mas em se tratando de parar de fumar, o que realmente é fracassar?
Pode crer, Milena. Já li sobre algumas experiências de pessoas que "fraquejaram", que fumaram depois de parar, que voltaram a fumar. E aquele cigarro do retorno é classificado como, sei lá, o crime capital, o pecado supremo, vergonha. The horror, the horror...
Vamos combinar que assim fica difícil, né? Quer dizer que somente a primeira tentativa de parar de fumar tem valor? Se a gente não conseguir de prima, vai tudo pro beleléu? (taí, são poucas as coisas que eu nunca escrevi na vida, já que sempre trabalhei escrevendo, mas "beleléu", primeira vez! Nem gosto muito dessa expressão, mas tinha que usar, né? Tipo: beleléu, check!)
Talvez seja por isso que eu tenha demorado tanto tempo para resolver parar. Talvez não! Foi exatamente por isso. E vamos combinar que, por essa ótica, a Milena foi muito mais corajosa do que eu. Assumiu os deslizes, caiu, levantou e está aí, na quinta tentativa, espinha ereta, mente não tão quieta, mas caminhando.
Tava limpo e fumou? Encara de novo, ué. Sem crise, sem fim do mundo, sem mimimi. Se você um dia cair num buraco, tentar sair e escorregar na primeira vez, vai desistir e morar lá dentro pra sempre igual um tatu?
Claro que não.
Por que nesse game, só fracassa de verdade quem para de tentar.
Que a força esteja com todos nós...
Reta final dos adesivos, chegamos à última semana. Mesmo sabendo que ainda tenho uma longa e eterna luta pela frente, não deixa de ser um interessante rito de passagem para se esperar. Agradeço muito por eles terem me trazido até aqui em segurança. Dentro de poucos dias, estarei por conta própria. Be afraid, be very afraid...
Falo isso pois nos últimos quatro ou cinco dias eu me peguei quase fumando umas 30 vezes. É mais ou menos como se meu corpo tivesse cansado dessa brincadeira.
"Ok, baby. Você já provou ao mundo que consegue, super curti sua atitude. Mas agora chega, né? Já perdeu a graça. Volta logo a fumar que você nasceu para isso!"
Porra! É Hannibal Lecter, é Darth Vader na veia me incentivando a matar de novo. E para combater o o lado negro da força, agora eu dei para falar sozinha. Mas em gritos espasmódicos. Imagina a cena:
Você está parado na rua aguardando o sinal abrir, ao lado de uma pessoa aparentemente normal. De repente essa pessoa explode num grito, dá um tapa no ar, sacode a cabeça num relincho: "ME DEIXA EM PAZZZZ PORRAAAAAAA!"
Você pensa: esquizofrênica, claro.
Nope... É ex-fumante mesmo.
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